sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Num tombo, meu pé desencontrou-se do seu, e nosso compasso ficou perdido no ar. O tempo passou e algo se perdeu. Não por falta de zelo, porque cuidado nunca faltou.
Teus sapatos de dança não mais lustravam. Minhas sapatilhas de cetim, com suas fitas claras, não mais abraçavam meus tornozelos. Algo, em algum momento, realmente se perdeu.
Meus pés agora estão descalços, porém aquecidos. As sapatilhas, que ora usei, agora servem-me de jardineira! Estão penduradas na varanda, no nascente, onde minhas flores crescem saudosas com o calor da manhã.
Se teus sapatos gastos também não têm mais uso, fure-os. Um pequeno regador terás, ao alcance das mãos, para regar as plantinhas do seu caminho.

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