Presente Contínuo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O olhar.
O abraço.
O sono.
O despertar.
O banho.
O montinho.
A surpresa.
A manha.
O colo.
O afago.
O amor.
O toque.
O arrepio.
A lambida-de-bichinho.
O respeito.
A preocupação.
O companheirismo.
A doçura.
A preguiça.
A cumplicidade.
A complementaridade.
A responsabilidade.
O canto-doce-e-morno.
A diversão.
A família.
A sensatez.
O telefonema.
A saudade.
O descanso.
O estudo.
A troca.

Substantivos comuns que só com o Próprio conjugado fazem sentido.

Futuro.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009


Receber um sorriso gratuito enquanto eu divagava sobre a vida me faz pensar que há muito caminho a ser trilhado. Eu vejo um futuro comum, e por mais saboroso que seja, enche meu estômago de libélulas.

Biografia.

terça-feira, 7 de julho de 2009



Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora

A mágica presença das estrelas!



[Mário Quintana]

Estímulo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Calma.

Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu.


[Zélia Duncan]

Menina-Escondida II

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"És sempre bem vindo à minha janela", dizes.
Será que eu acredito?
Pois me pergunto
com que dados joga o destino,
menino mimado,
quando me despeja um não.

Mas sou bem vindo à sua janela, dizes.
E se são janela os olhos
- teus, de pêssego -
e cílios que desenham paraíso,
eu me pergunto:
como, querida, em são juizo,
bambeiam suas pernas quando ouso
espiá-la a fundo?


[F. Favilla.]

Melão-Melancia.

domingo, 7 de junho de 2009

Tive o deja-vu mais delicioso de todos os tempos: o de ver ele na varanda vendo eu tomar meu rumo. Aquele dia, com um olhar e um sorriso doce no semblante, ele me deu um rumo pra vida. "Venha para o meu mundo de carinho e compreensão", disse ele. Será que precisei de algo mais para me convencer de que eu estava aqui para ser feliz? Não.

Tomamos um caminho comum, no qual eu estaria com ele, ele comigo, e também todos que amamos - família, amigos - num mesmo rumo. Nosso caminho só reflete luz - luz divina, luz de sabedoria, luz de amor - e nada mais além disso.

O amor não consome, não cansa, não tem vontade de distância e não faz sofrer. O amor não separa nada de ninguém, não obriga e não dá vida à quem não quer vir. O amor deixa livre, dá força nas escolhas difíceis e afaga a dor no sofrimento. O amor une, concretiza, gera e faz crescer.

Aquele dia eu tive a certeza de que novamente havia amor em mim. Uma certeza que confortou meu coração de uma forma que nem medo mais havia em mim. E ai ele só precisava existir pra me completar. Pequenas coisas, grandes momentos, e assim vivemos nossa trama nesse universo.

E assim, nesses 7 meses, 26 dias e algumas horas ele me faz assim, uma flor mais vermelha, e uma estrela com mais luz.


Companhia.

quinta-feira, 21 de maio de 2009



[...]

E se o tempo for te levar
eu sigo essa hora,
eu pego carona pra te acompanhar.



[Rodrigo Amarante - Último Romance.]

Sobre os dias ruins.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Eu te puxo pelas pernas
que é pra você não se afogar

de cabeça pra cima,

no céu gris dos pensamentos torpes.

Páscoa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aos que me ouviram,
Aos que silenciaram,
Aos que me acolheram, e
Aos que cederam um abraço,

Fica o agradecimento eterno pelo retorno à vida,
pela paciencia que tiveram e pelo amor que dispuseram.
Isso é o que eu chamo de incondicionalidade.

Amo, de coração aberto.

Resiliência.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sou coisa-outra, mais autêntica, mais viva,
e ainda sim conjugar os verbos:

desculpar;
des-culpar;
não-culpar;
esquecer;
e deixar para lá,

pelo menos no momento, não há previsão de acontecer.
Deseje apenas que você não seja um mal-querer, como absurdamente és.

Felicidade.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Por aqui, senhor, os dias andam teimosamente claros - de certo pelo reflexo reluzente dos cristais que arrasta consigo nos olhos. Não existe medo em minhas palavras, deixe disso, é que já quase não me lembro como é a escuridão e toda sua ausência de cor.

Reparo, já há algum tempo, que as cores parecem ter mais vida, mais cheiro, mais tato. Talvez o arcabouço do meu mundo tenha dado uma trégua, ou simplesmente eu tenha deixado o sol entrar por entre as grades que me cercavam. Entenda, senhor, que muitas vezes a cabeça pensa, mas o coração se nega a executar algo que gere dor. Dor-boa, dor-ruim. Ele não sabe diferenciar.

Foi assim que por um ato de atrevimento resolvi saltar cachoeira abaixo. O medo e o prazer caminham juntos, sabes? Por fim, o fervor no meu estômago foi mais saboroso que imaginava: lá estava a água cristalina - aquela mesma que alimenta teus olhos - a me receber de leito aberto, saudosa ao lavar todas as maldades-do-mundo da minha alma.

Sou coisa-leve hoje em dia. Tão leve que até as brisas mais brandas me fazem dançar. Vivo de luz e de água-de-cachoeira, como as flores. Tenho cheiro próprio, que o senhor bem sabe qual é. Tenho a delicadeza das gerações passadas, e carrego comigo o legado do aprendizado que a vida penou a me ensinar.

Bem sabes que cada um tem sua lágrima-de-vidro, e cada um sabe o seu peso. Assim como a cachoeira me estendeu seu véu, eu te estendo a mão - é sabido que minha mão é sua, e a sua minha, senhor, mas preciso além disso da sua vontade, aquela que se usa para vencer. Não é gesto bobo. Assim como não foi bobo pular da cachoeira.

Eu quero mesmo, senhor, é que você também não se lembre mais da ausência de cor, da falta de brilho e falta de contraste. Quero que fixe em sua memória apenas as belas matizes sólidas que tateias enquando sorrio, e que se lembre de cada prazer, cada descoberta. Quero que as pedras que seguram teu balão cor-de-laranja o soltem, e que você também possa voar, assim como eu, quando entro em ti.