Sobre Perdas e Ganhos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Despedaçamo-nos quando perdemos algo que nos era de grande valia. Cada pedacinho do estardalhaço que se faz presente dentro do peito tem uma estória, tem uma alma, um aprendizado.

Ora. Por que negamo-nos a ver a dor como uma chance de recomeço? Ou de crescimento? Não seria isso um grande gesto de auto-flagelação e auto-piedade, além de egoísmo?

Eu vos digo, de peito aberto, que cada letra, cada palavra que escrevo, tem lá sua alegria e seu pesar. Aprender a tomar a dificuldade e transformá-la em conhecimento (e por que não dizer AUTO-conhecimento!) é fruto de muita reflexão, de boa vontade, de boa fé, de boa mão..

E se cada pedacinho de um destroço gerasse algum fruto ou provento? Pensemos um pouco.. esforcemo-nos! Quando o coração é bom, cada pedacinho desgarrado da alma é uma semente que ajuda ou transforma outro ser. Pensar que os pedacinhos soltos são só sofrimento, só atesta, mais uma vez, que o egoísmo prevaleceu.

Lancemos nossos cacos ao ar, assim como os Dentes-de-Leão: que geram mais flores e mais flores nesse planetinha tão sofrido nosso!

(In)definindo o amor.

quinta-feira, 24 de julho de 2008


O amor se aprende? Se usarmos a mesma ótica em vários âmbitos da vida, podemos concordar. O amor se aprende sim. Bem como o medo se aprende, o preconceito, a preocupação, o ódio, a responsabilidade, a bondade, a distinção, entre outros. Tudo isso se aprende na sociedade, no lar, num relacionamento.

Desconheço outra cultura tão dedicada ao prazer quanto a nossa. Perdemo-nos em busca do prazer, tanto que nos esquecemos que existem outras coisas. Somos uma cultura que detesta o sofrimento, mas ele acaba sendo um mestre em nossas vidas. Não estou dizendo para embutirmos sofrimento no coração, afinal, prefiro a alegria, que também é uma grande mestra.. e desespero, o assombro, a confusão, estes também o são!

Quais os fatores que nos impedem de ver o que é essencial? Costumamos ver apenas uma parcela das coisas em nosso ambiente. Há uma porção de coisas ao nosso redor, a todo momento, e nossos sentidos nos limitam enxergar as coisas mais simples. Para onde quer que voltemos nossas atenções, temos (in?)consciência que temos um espaço reduzido e pior, nos satisfazemos em pensar que é só o que existe.

E o AMOR, nada mais é do que a vida em todos os seus aspectos.

Abdicação

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços.

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.


Fernando Pessoa, 1913