sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Eu tinha medo de fantasmas. Quando pequena, minha avó dizia que eles vinham na calada da noite puxar nossos pés, quando se sentiam no direito de nos cobrar algo."- Seja uma boa menina!", dizia ela.
Mamãe sempre dizia para eu não sair à rua sozinha. Às vezes, admito, quando ela estava ausente, seu saia para brincar de andarilha no conjunto, mas nunca saía da redondeza da casa. Mesmo estando "livre", eu ainda tinha um senso de auto-preservação: vai que algum desvairado me roubasse? Eu me denunciaria! [risos]
Ainda que as aventuras pelo mundo afora me encantassem, considero que fui uma boa menina. Não havia motivo para que os fantasmas se quer fizessem cócegas em meus pés. Mas.. o tempo passa e a gente cresce. Os fantasmas de hoje nada tem a ver em ser boa ou má menina. Tem a ver com boas e más ações, e estes não puxam os pés de seus devedores, mas martelam em suas consciências.
Sabe, sempre devemos exercitar a empatia - capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas - e o bom-senso. Uma palavra mau-dita, um olhar de desdém, ou um silêncio torto podem acabar com o dia de outra pessoa. Devemos sempre pensar que estamos num universo cíclico, onde nada se cria, nada se perde, tudo se transforma em meio a essa entropia louca.
Alguns gritam em alto e bom som: "- o que vai, voltaaaa!", e eu não desacredito isso. Quem tem um conhecimento básico de física e química sabe que somos feitos de energia, e, segundo os teoristas dessas ciências, a energia está em trânsito o tempo todo em forma de ondas ou partículas. Se o bem vai, ele volta e perdura, circulando sempre em coisas boas. A recíproca é verdadeira para o mau: ele também vai, e também volta, e perdura em um vórtice que só piora (se não houver estímulo de mudança, claro).
Estamos em um mundo não muito adiantado, é sabido isso. Mas, se estamos em um planeta de regeneração, por quê não seguir o caminho da evolução? É sabido também que não involuímos, no máximo, estagnamos (o que, ao meu ver, é muito pior). Os fantasmas nada mais são que aquilo que fazemos de mal com o outro. Coisas que não gostaríamos que nos fizessem (cadê a empatia?). Quando temos a ciência dos nossos maus-atos é que o tal fantasminha - nada camarada - aparece em nosso subconsciente.
Então, sábias são a Vovó e a Mamãe: sendo boas meninas e bons meninos e os fantasmas não se aproximarão.

1 comentários:
nem fantasmas nem monstrengos carecas deformados :D
beijos lindinha
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